05 maio 2012

"Escrevo-te este diário, que se transformou na mais sincera carta de amor, para que nunca te esqueças do que foi o meu amor por ti. Já estou cansada das palavras, mas não tenho outra forma de tocar a eternidade. Talvez o que aqui te escrevo te consiga mover mais uma vez, porque ao ler cada linha, se ique é a minha voz que irás ouvir. Talvez o teu coração perca o medo de saltar para fora do peito e descubras finalmente onde pode ser a tua casa. Ou talvez o feches em fúria, me amaldiçoes por toda a sinceridade e desputor e o escondas num lugar perdido, para nunca mais o abrir, como fizeram os homens com a caixa de Pandora, acreditando que era ela a culpada de se terem espalhadp pelo mundo todas as desgraças e enfermidades. Só a esperança não saiu da caixa, para salvar os mesmos homens. Quem sabe, um dia, alguém a descobre perdida, escondida num armazém obscuro de um antiquário cedo e surdo e volta a abri-la, devolvendo ao mundo o que sempre mais lhe faltou. Mesmo assim, acredito que não me lerás de uma forma tão trágica e triste. Acredito que, mergulhado no silêncio, conseguirás ouvir a minha voz que sempre te tocou e, apesar da distância, sentirás a minha cara encostada nas tuas costas e os meus braços à volta do teu peito amparando-te no teu caminho, o meu olhar protector e a pedir protecção, o calor do meu corpo encostado ao teu, e à nossa volta, como uma bênção divina, aquele véu de esperança que afinal nunca se perdeu. Até lá, e porque a vida nunca é como a imaginamos, espero por ti sem esperar, sonhando que aquilo que desejo, se for bom para mim e o melhor para o mundo, se realize, e a tua ausência seja apenas uma etapa, uma razão pela qual te escrevi este diário."
 
  Margarida Rebelo Pinto