13 novembro 2010

Itálico


"Gosto de ti de uma forma que não consigo nem quero explicar, gosto de ti assim, despenteada, um bocadinho carente, às vezes muito cansada; gosto das tuas gargalhadas sacudidas, das tuas mãos compridas, das tuas ancas estreitas a que me agarro como pegas de guiador de bicicleta; gosto da tua boca quando toca na minha e dos teus ombros que se enroscam por entre os meus, quando tens medo do passo seguinte. Eu também tenho medo, mas não digo nada. Gosto de sorrir para a vida e pensar que tudo vai correr bem, mesmo quando os dias me trocaram as voltas e chego à noite estoirada a casa, sem encontrar sentido às coisas. Não sei se caíste do céu, nunca ouvi dizer que o Chiado era um aeroporto de anjos, mas agora que vieste de um planeta diferente, não te vás já embora, a casa é tua, entra, experimenta, mora um bocadinho no meu coração e ouve o teu a bater. Talvez ele te diga se este é o teu lugar e chegaste ao fim da tua viagem. A casa é tua, fica-te por aí até saberes o que queres, porque querer é poder, e se depender de mim, eu quero que fiques para sempre, enquanto o que sinto por ti for verdade."